Por Heather A. Butler, em 3 de outubro de 2017.
Texto original em inglês: clique aqui
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Inteligência não é a mesma coisa que pensamento crítico e esta diferença importa.
Todos nós provavelmente conhecemos alguém que é inteligentes, mas faz coisas surpreendentemente estúpidas. Minha família se delicia em apontar vezes em que eu (uma professora) cometo erros realmente estúpidos. O que significa ser esperto ou inteligente? Nosso uso cotidiano do termo serve para descrever alguém que é bem informado e toma decisões sábias, mas esta definição está em desacordo com como a inteligência é medida tradicionalmente. A medida de inteligência mais conhecida é o QI (quociente de inteligência), mais comumente conhecido como teste de QI, o qual inclui desafios visoespaciais, problemas matemáticos, reconhecimento de padrões, perguntas de vocabulário e buscas visuais.
As vantagens de ser inteligente são inquestionáveis. Pessoas inteligentes são mais propensas a tirar notas melhores e a avançar mais na vida escolar. Também têm mais chances de serem bem sucedidas no trabalho. Além disso, têm menor probabilidade de se meterem em confusão (por exemplo, cometerem crimes) quando adolescentes. Dadas todas as vantagens da inteligências, entretanto, você se surpreenderia de saber que ela não prevê outros desdobramentos na vida, como o bem estar. Você pode imaginar que ir bem na escola ou no trabalho pode levar a maior satisfação em relação à vida, mas diversos estudos de larga escada têm falhado em encontrar evidências de que o QI afeta aspectos como a longevidade ou a satisfação com a vida. Igor Grossmann, psicólogo da Universidade de Waterloo, e seus colegas, argumentam que a maioria dos testes de inteligência falha em em captar tomadas de decisão do mundo real e nossa habilidade de interagir satisfatoriamente com os outros. Isto é, em outras palavras, por que pessoas "espertas" fazem coisas "estúpidas".
A habilidade de pensar criticamente, por outro lado, tem sido associada com bem estar e longevidade. Apesar de frequentemente ser confundida com inteligência, os dois não são a mesma coisa. O pensamento crítico é um conjunto de habilidades cognitivas que nos permitem pensar racionalmente em um estilo voltado a objetivos e uma disposição a usar estas habilidades quando apropriado. Pensadores críticos são céticos amáveis. Eles são pensadores flexíveis que requerem evidências para sustentar suas crenças e reconhecer tentativas falaciosas de persuadi-las. Pensar criticamente significa superar toda a sorte de vieses cognitivos (por exemplo, viés retrospectivo ou viés de confirmação). O pensamento crítico prevê uma ampla gama de eventos na vida. Em uma série de estudos conduzidos nos Estados Unidos e outros países, meus colegas e eu temos observado que pensadores críticos têm experimentado menos situações negativas na vida. Nós pedimos às pessoas para completarem um inventário de eventos na vida e para fazerem uma avaliação a respeito do pensamento crítico (o Halpern Critical Thinking Assessment). Esta avaliação mede cinco componentes do pensamento crítico, incluindo raciocínio verbal, análise de argumentação, testagem de hipótese, probabilidade e incerteza, tomada de decisões e resolução de problemas. O inventário de eventos negativos na vida capta diferentes domínios como o acadêmico (por exemplo, "esqueci de uma prova"), saúde (ex. "contraí uma doença sexualmente transmissível porque não usei camisinha), interpessoal (ex. traí meu parceiro com o qual estive por mais de um ano), financeiro (ex. "tenho mais de $5000 em dívidas no cartão de crédito), entre outros. Repetidamente, encontramos o resultado de que pensadores críticos experimentam menos eventos negativos ao longo da vida.
É melhor ter pensamento crítico ou ser inteligente? Minha última pesquisa comparou a inteligência e o pensamento crítico para saber qual estava associado a menos eventos negativos na vida. Tanto as pessoas inteligentes quanto as que tinham pensamento crítico experimentaram menos eventos negativos na vida, mas as que tinham pensamento crítico se saíram melhor.
Inteligência e aumento da inteligência são tópicos que recebem muita atenção. É hora do pensamento crítico receber um pouco mais de atenção. Keith Stanovich escreveu um livro inteiro sobre "O que os testes de inteligência não medem". Mais de perto, o raciocínio e a razão lembram o que nós queremos dizer quando chamamos alguém de esperto do que habilidades espaciais e matemáticas. Além disso, aumentar a inteligência é difícil. A inteligência é largamente determinada pela genética. O pensamento crítico, por outro lado, pode melhorar com treino e os benefícios têm se mostrado duradouros. Qualquer um pode melhorar suas habilidades de pensamento crítico. Sendo assim, podemos dizer que é algo inteligente de se fazer.
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